Abraço de afogados: Ibaneis, Rafael Prudente e Wellington Luiz

Vídeo com Baleia Rossi, Wellington Luiz e Rafael Prudente expõe operação de sobrevivência do grupo de Ibaneis diante do caos no escândalo BRB/Master

Na política do Distrito Federal ninguém oferece abraço sem calcular antes o tamanho do afundamento. E foi exatamente isso que o ex-governador Ibaneis Rocha fez ao aparecer em vídeo ao lado do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, do presidente regional do partido, Wellington Luiz, e do deputado federal Rafael Prudente.

A cena teve menos aparência de confraternização partidária e mais cheiro de operação de emergência política. O MDB resolveu retirar Rafael Prudente da penumbra e apresentá-lo, ainda que de maneira cuidadosamente velada, como o candidato do grupo ao Palácio do Buriti.

A candidatura já vinha sendo construída nos bastidores havia muito tempo. Rafael Prudente percorreu silenciosamente gabinetes, ampliou alianças, consolidou espaços administrativos e trabalhou com a cautela típica de quem conhece os riscos de se antecipar demais num ambiente contaminado por disputas empresariais, interesses familiares e estruturas políticas dependuradas no poder.

Era uma campanha clandestina, porém visível.

Não assumia oficialmente porque precisava proteger interesses econômicos, preservar relações e evitar turbulências prematuras em setores estratégicos ainda vinculados ao grupo político de Ibaneis. Mas o tempo começou a correr contra o ex-governador.

O escândalo envolvendo o Banco Master e o BRB deixou de ser apenas um problema administrativo. Virou fantasma político rondando os corredores do poder brasiliense. As delações, os bastidores nervosos e o temor de novos desdobramentos fizeram o grupo de Ibaneis acelerar o lançamento de Rafael Prudente antes que o desgaste avance ainda mais.

O vídeo surgiu como uma espécie de bote salva-vidas lançado em mar revolto.

Ibaneis tenta fabricar uma sucessão antes que o escândalo alcance o coração político de seu grupo. O problema é que a realidade encontrada pela atual governadora Celina Leão desmonta boa parte do discurso triunfalista vendido pelo antigo governo.

Celina herdou um governo exaurido financeiramente.

Mais de R$ 7 bilhões de rombo apenas na economia do Distrito Federal obrigaram a governadora a agir como administradora de crise. Cortou contratos milionários, represou despesas, enxugou gastos e começou a desmontar estruturas que consumiam recursos públicos em benefício de pequenos grupos instalados nas engrenagens do poder.

O Buriti virou cenário de contenção de danos.

Aliados de Celina descrevem os bastidores deixados por Ibaneis como um ambiente de desorganização fiscal, compromissos explosivos e contratos que sangravam os cofres públicos. A governadora decidiu interromper o modelo anterior. E foi justamente aí que começou a irritação do ex-governador.

No vídeo, Ibaneis praticamente lamenta o fato de Celina não ter seguido a “cartilha” de seu governo. Cartilha que ele vende como exemplo de sucesso administrativo, embora o retrato deixado inclua justamente o escândalo BRB/Master e o gigantesco rombo fiscal que hoje sufoca o DF.

Celina percebeu rapidamente a armadilha.

Se aceitasse reproduzir integralmente o modelo político de Ibaneis, carregaria junto o desgaste do antigo governo e poderia afundar ao lado dele quando o escândalo atingisse seu ponto máximo. Agiu com habilidade política, recuou onde precisava recuar, cortou o que precisava cortar e escapou da engenharia ardilosa montada para transformá-la em mera continuadora de um projeto já desgastado.

Ibaneis queria mais do que fidelidade política. Exigia submissão eleitoral.

Nos bastidores, pressionou Celina a romper publicamente com a deputada federal Bia Kicis, pré-candidata ao Senado pelo PL. Não conseguiu.

Celina entendeu que entrar nessa guerra seria cair numa armadilha política infantil. O PL possui dois nomes fortíssimos na disputa ao Senado: Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Romper com uma delas significaria incendiar pontes importantes justamente no momento em que o MDB enfrenta desgaste crescente.

Com jogo de cintura, Celina evitou o confronto direto. Não rompeu. Não comprou a briga de Ibaneis. E passou a administrar o cenário com prudência cirúrgica.

Enquanto isso, Rafael Prudente surge oficialmente como candidato de um grupo político acuado pelo tempo, pelo desgaste e pelo avanço das investigações.

O vídeo deixou evidente que Wellington Luiz abraçou o projeto eleitoral de Rafael Prudente. E a presença de Baleia Rossi serviu como carimbo nacional de uma candidatura que ainda tenta se esconder atrás da palavra “articulação”, embora Brasília inteira já saiba do que se trata.

No fundo, o MDB apenas antecipou um movimento inevitável: tentou colocar Rafael Prudente na vitrine antes que o escândalo BRB/Master transforme antigos aliados em passageiros de um mesmo naufrágio político.


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