Comunidade de formação literária reúne mais de 250 participantes no Brasil e em sete países
Para muitas mulheres, a escrita começa de forma silenciosa. São textos guardados em cadernos, rascunhos acumulados ao longo dos anos ou publicações esporádicas nas redes sociais. O desejo de escrever existe, mas transformá-lo em carreira ainda parece distante em um mercado editorial que historicamente ofereceu mais espaço e reconhecimento para autores homens.
Nos últimos anos, no entanto, iniciativas voltadas à formação de escritoras têm buscado mudar esse cenário ao oferecer orientação técnica, troca de experiências e caminhos mais claros para quem deseja levar a escrita a sério. Criada pela escritora e produtora cultural brasiliense Lella Malta, a comunidade Escreva, Garota! reúne hoje mais de 250 participantes no Brasil e em sete países e se consolidou como um espaço de formação continuada para mulheres interessadas em desenvolver projetos literários e construir uma trajetória no mercado do livro.
Segundo Malta, um dos principais desafios é fazer com que as mulheres reconheçam a própria escrita como algo que pode ir além do campo pessoal. Muitas chegam ao grupo já escrevendo, mas ainda não se enxergam como autoras. “Grande parte das mulheres escreve, mas não se vê como escritora. Quando começam a entender que a escrita também pode ser estruturada como carreira, surge outra relação com o próprio trabalho”, afirma.
A proposta da comunidade é justamente oferecer ferramentas para essa transição. Nos encontros, as participantes discutem técnica narrativa, processos criativos, revisão e preparação de textos, além de temas ligados ao funcionamento do mercado editorial. A ideia é ajudar cada autora a estruturar seus projetos literários e compreender melhor os caminhos possíveis para publicação e circulação de suas obras.
O ambiente coletivo também tem papel importante nesse processo. Para Malta, compartilhar experiências e leituras ajuda a romper o isolamento que muitas vezes acompanha quem escreve. “A escrita costuma ser vista como uma atividade solitária, mas quando mulheres se encontram para discutir seus textos e suas trajetórias, elas ampliam repertórios e criam novas possibilidades de atuação dentro da literatura”, diz.
A comunidade também mantém uma política de bolsas integrais destinadas a mulheres em situação de vulnerabilidade social, ampliando o acesso à formação literária e incentivando a diversidade de vozes no campo editorial.
Com mais de seis anos de atuação, o Escreva, Garota! se consolidou como uma rede de formação para mulheres que desejam desenvolver a escrita de forma consistente e ocupar espaço no mercado do livro. Para Lella Malta, ampliar a presença feminina na literatura passa necessariamente pela formação de novas autoras e pelo fortalecimento de trajetórias profissionais. “Quando mais mulheres escrevem, publicam e circulam suas histórias, o campo literário se torna mais plural e representativo”, afirma.

