O mês de abril nos convida à reflexão e há temas que não podem mais ser tratados como algo pontual dentro das escolas. O bullying é um deles. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que quase quatro em cada dez adolescentes brasileiros já sofreram bullying no ambiente escolar. Isso significa que, em uma sala com 30 alunos, cerca de 10 já vivenciaram situações de humilhação, exclusão ou violência emocional. Não estamos falando de ‘brincadeiras’, mas de experiências que marcam, silenciam e, muitas vezes, ferem profundamente.
O bullying é persistente e impacta diretamente a
autoestima, o desempenho escolar e a saúde emocional dos estudantes. Mais do
que números, estamos falando de crianças e adolescentes que deixam de
participar das aulas, passam a se sentir inseguros no ambiente escolar e
carregam marcas que podem acompanhá-los por toda a vida. Como alerta Augusto
Cury, “os conflitos não resolvidos na infância ecoam na vida adulta”. A escola,
diante deste cenário, não pode assumir uma postura passiva. Educar é também
formar para o convívio, para o respeito e para a dignidade humana, o que exige
presença ativa dos educadores, escuta qualificada e intervenções firmes e
coerentes.
O desafio se amplia quando consideramos o contexto
atual. Vivemos uma geração exposta às redes sociais, à comparação constante e à
fragilidade nas relações. Hoje, o bullying não se limita ao espaço físico da
escola, ele ultrapassa os muros, invade os grupos virtuais e se prolonga no
silêncio dos quartos. Como afirma Zygmunt Bauman, “vivemos tempos líquidos, em
que as relações são frágeis e descartáveis”, o que torna ainda mais urgente o
fortalecimento de vínculos reais e saudáveis.
Nesse contexto, é fundamental reconhecer que a responsabilidade não é apenas da
escola. A família tem um papel decisivo
na formação emocional e moral dos filhos. É em casa que se aprendem os
primeiros limites, o respeito ao outro e a forma de lidar com frustrações, por
exemplo. Pais atentos, que acompanham, orientam e dialogam com seus filhos,
ajudam a prevenir comportamentos agressivos e também a identificar sinais de
sofrimento. Minimizar atitudes, justificar comportamentos ou transferir
responsabilidades fragiliza esse processo e expõe ainda mais as crianças e
adolescentes.
Combater o bullying não se resume à punição.
Trata-se de formar sujeitos capazes de conviver, respeitar e reconhecer o
outro. Como nos lembra Paulo Freire, “a educação não transforma o mundo. A
educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. É construir uma cultura
em que o respeito seja princípio, e não exceção.
No Colégio Externato São José, assumimos esse compromisso com seriedade, entendendo que a escola deve ser um espaço seguro, onde cada aluno seja visto, acolhido e respeitado. Mas esse caminho só se sustenta quando escola e família caminham juntas, com o mesmo propósito. Porque, no fim, educar é isso: cuidar de quem o aluno está se tornando.
