Médico explica como o álcool afeta o intestino, aumenta inflamações e pode favorecer o desenvolvimento de tumores ao longo dos anos
No Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, celebrado em 18 de fevereiro, médicos reforçam que o consumo frequente de bebidas alcoólicas está associado ao aumento significativo do risco de câncer de intestino.
A relação entre álcool e câncer vai além dos danos hepáticos. Uma ampla revisão científica liderada por pesquisadores da Florida Atlantic University, nos Estados Unidos, analisou dezenas de estudos internacionais e identificou associação consistente entre o consumo de bebidas alcoólicas e maior incidência de diferentes tipos de tumores, incluindo o câncer colorretal.
Os dados apontam que pessoas que mantêm consumo regular podem apresentar risco até duas vezes maior de desenvolver a doença, especialmente quando o hábito se mantém ao longo dos anos.
Para o coloproctologista Dr. Danilo Munhóz, o impacto é progressivo e silencioso. “O álcool é convertido no organismo em acetaldeído, uma substância tóxica que pode provocar danos ao DNA das células do intestino. Esse processo favorece mutações e aumenta o risco de câncer colorretal”, explica.
Segundo ele, a frequência pesa tanto quanto a quantidade. “Não é só o excesso em um único dia que preocupa. O consumo repetido ao longo do tempo cria um ambiente inflamatório, altera a microbiota intestinal e reduz a capacidade do organismo de combater células anormais”, afirma.
O especialista alerta que o risco pode ser ainda maior quando o consumo de álcool está associado a outros fatores. “Sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, obesidade e histórico familiar potencializam esse cenário e aceleram processos inflamatórios no intestino”, destaca.
De acordo com o médico, o câncer colorretal costuma evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, o que torna o rastreamento essencial. “Muitas vezes o paciente não apresenta sintomas no começo. Quando surgem sinais clínicos, a doença pode já estar em estágio mais avançado”, afirma.
Entre os principais sinais de alerta estão sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal frequente, anemia sem causa aparente e perda de peso involuntária. “Esses sintomas não devem ser ignorados. Quanto mais cedo investigarmos, maiores são as chances de tratamento eficaz e cura”, reforça.
Dr. Danilo Munhóz ressalta que a prevenção depende de mudanças concretas no estilo de vida. “Reduzir ou eliminar o consumo de álcool é uma das medidas mais importantes. Associar isso a uma alimentação rica em fibras, prática regular de atividade física e controle do peso corporal reduz significativamente o risco”, orienta.
Ele também destaca a importância da colonoscopia. “O exame permite identificar e remover pólipos antes que eles se transformem em câncer. A recomendação geral é iniciar o rastreamento aos 45 anos, mas quem tem histórico familiar deve procurar avaliação médica mais cedo”, conclui.
