Instituições de ensino são os primeiros ambientes coletivos frequentados pelos pequenos. A interação com professores e colegas contribui para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais essenciais para a vida em sociedade
Muito mais do que a leitura, a escrita e os números, o início da vida escolar representa um aprendizado essencial que acompanhará a criança por toda a vida: a convivência em sociedade. Acostumados ao ambiente familiar, os pequenos passam a compartilhar o dia a dia com professores e colegas, aprendendo a dividir espaços, respeitar diferenças, resolver conflitos e construir vínculos.
Para a Ir. Maria Zorzi, diretora de Ensino Fundamental do Paraná, a socialização é uma habilidade que precisa ser desenvolvida desde os primeiros anos de vida. "A interação social é fundamental para o desenvolvimento integral das crianças, pois contribui para a construção de habilidades como empatia, respeito, cooperação, comunicação e resolução de conflitos”, reforça.
Além
de favorecer o bem-estar emocional e a formação da identidade, acrescenta, as
relações sociais também impactam positivamente a aprendizagem, aumentando a
participação, a confiança e o engajamento escolar. “Dessa forma, o
desenvolvimento social é tão importante quanto o acadêmico para a formação de
cidadãos preparados para viver em sociedade”, completa.
Desafios da convivência na era digital
Se,
por um lado, a escola desempenha um papel central no desenvolvimento das
habilidades sociais, por outro, enfrenta desafios cada vez mais presentes no
cotidiano dos estudantes. Entre eles, está o uso excessivo de telas —
recentemente controlado nesses ambientes, mas que tem alterado a forma como
crianças e adolescentes se relacionam.
Segundo
a Ir. Maria, a convivência presencial perdeu espaço, por muito tempo, para as
interações mediadas por dispositivos eletrônicos. “Muitas crianças e
adolescentes desaprenderam a conviver com o outro, a manter o contato visual e
a perceber os sentimentos das pessoas. Escondidos atrás das telas, acabam
encontrando mais dificuldades para estabelecer relações no mundo real”,
observa.
Além
dos impactos na socialização, especialistas também alertam que o uso excessivo
de celulares pode prejudicar a concentração, comprometer a qualidade do sono,
favorecer problemas posturais e aumentar o risco de ansiedade.
A
educadora destaca que alguns estudantes ainda apresentam reflexos do período de
isolamento social vivido durante a pandemia. No entanto, ela ressalta que
projetos pedagógicos, atividades lúdicas e experiências coletivas promovidas
pelas escolas têm contribuído para que essas crianças retomem, gradativamente,
a convivência com colegas e professores.
Entre
os sinais que podem indicar dificuldades de socialização estão a resistência em
frequentar a escola, episódios de isolamento repentino, comportamentos
agressivos e manifestações de ansiedade diante de situações de interação
social. Nesses casos, o acompanhamento conjunto entre escola e família torna-se
essencial.
A
escola como espaço de convivência
Na
prática, o desenvolvimento de competências como empatia, cooperação e respeito
acontece diariamente, por meio das relações estabelecidas no ambiente escolar.
De acordo com Verushka Xavier Passarelli, orientadora educacional do Colégio
Sagrado Coração de Jesus, em Curitiba, a escola é um dos principais espaços de
aprendizagem socioemocional.
“Por
meio das experiências diárias, os estudantes aprendem a compreender o outro,
trabalhar em grupo e conviver com as diferenças”, afirma.
Para
fortalecer essa convivência, a instituição desenvolve ações como rodas de
conversa, projetos de educação socioemocional, atividades cooperativas,
mediação de conflitos, campanhas de conscientização e iniciativas voltadas à
prevenção do bullying. “Também valorizamos constantemente atitudes positivas,
pois esse reconhecimento incentiva boas práticas e fortalece o sentimento de
pertencimento entre os alunos”, explica.
Verushka
reforça que a participação das famílias é indispensável para potencializar esse
processo. A comunicação frequente entre pais e escola, aliada ao envolvimento
em projetos e atividades pedagógicas, contribui para um trabalho mais
consistente no desenvolvimento das habilidades socioemocionais. “Quando escola
e família atuam em parceria, as crianças aprendem valores como respeito,
empatia, tolerância e convivência em comunidade, competências fundamentais para
toda a vida.”
