Estimativa do INCA
aponta 2.610 novos casos anuais da doença em Goiás entre 2026 e 2028.
Urologista da Unimed Goiânia alerta para os riscos de adiar os cuidados com a
saúde
A ausência de sintomas nem sempre significa que está tudo bem com a saúde. No caso do câncer de próstata, a doença pode se desenvolver silenciosamente em seus estágios iniciais, enquanto o medo de receber um diagnóstico e os preconceitos relacionados aos exames ainda representam obstáculos à procura por atendimento médico. O alerta ganha relevância durante o Novembro Azul, diante da estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que projeta 2.610 novos casos da doença por ano em Goiás, no período de 2026 a 2028. Desse total, 670 são estimados anualmente para Goiânia.
A doença representa aproximadamente 30,5% dos novos diagnósticos entre homens no país. Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer ocupa a primeira posição em incidência na população masculina.
Segundo o médico urologista cooperado da Unimed Goiânia, Dr. Madson Montes Bedim, um dos desafios para a saúde masculina é o comportamento de procurar assistência apenas quando percebem algum sintoma. “No consultório, observamos que muitos homens ainda deixam os cuidados com a saúde em segundo plano, buscando assistência somente quando surgem manifestações clínicas. O receio de receber um diagnóstico, os tabus relacionados aos exames e a ideia equivocada de que não precisam de acompanhamento são obstáculos frequentes”, explica.
O especialista destaca que o câncer de próstata pode não apresentar sinais perceptíveis em sua fase inicial, o que reforça a importância de conhecer os fatores de risco e conversar com o médico sobre a necessidade de avaliações individualizadas. Entre os principais fatores associados à doença estão o avanço da idade, o histórico familiar e o excesso de gordura corporal. Além disso, homens negros apresentam maior risco de desenvolver esse tipo de câncer.
“Um aspecto preocupante é que o câncer de próstata costuma evoluir silenciosamente em seus estágios iniciais. Portanto, sentir-se bem e não apresentar sintomas não exclui a possibilidade da doença”, ressalta o urologista.
A atenção à saúde da próstata deve ser reforçada com o avanço da idade, especialmente a partir dos 50 anos, quando o risco de desenvolver a doença aumenta. Homens com histórico familiar ou outros fatores de risco devem conversar com o médico sobre a necessidade de acompanhamento individualizado, inclusive antes dessa faixa etária. O câncer de próstata, quando identificado em estágios iniciais, oferece maiores possibilidades de tratamento e melhores perspectivas de recuperação.
Além do câncer de próstata
Embora o Novembro Azul tenha o câncer de próstata como um dos principais temas, a campanha também representa uma oportunidade para ampliar a discussão sobre a saúde masculina. O aumento benigno da próstata, as infecções urinárias, os cálculos renais, as alterações hormonais e da função sexual, além de outros tipos de câncer urológico, estão entre as condições que merecem atenção.
De acordo com o
médico, sintomas como dificuldade para urinar, presença de sangue na urina,
dores persistentes e alterações nos órgãos genitais não devem ser ignorados.
Essas manifestações podem estar relacionadas a diferentes problemas de saúde e
precisam ser avaliadas por um profissional.
O urologista explica que a procura pelo especialista não deve ficar restrita a uma faixa etária, especialmente quando existem queixas ou alterações. No caso do câncer de próstata, a avaliação dos fatores de risco, dos possíveis benefícios e das limitações dos exames deve orientar a decisão médica em conjunto com o paciente.
Informação e cuidado durante todo o ano
Para Dr. Madson, o Novembro Azul deve ser entendido como um estímulo à mudança de comportamento, e não apenas como um período dedicado à realização de exames. A adoção de hábitos saudáveis, a atenção aos sinais do organismo e a busca por orientação profissional fazem parte dos cuidados com a saúde masculina.
O médico reforça
que o acompanhamento deve considerar as necessidades individuais e que a
avaliação de sintomas não pode ser adiada por vergonha ou receio de um possível
diagnóstico. “Minha mensagem é que a saúde precisa ser tratada como prioridade,
e não apenas quando aparece algum sintoma. Procurar orientação médica, manter
hábitos saudáveis e realizar avaliações quando indicadas são atitudes
fundamentais”, conclui.

