A cultura de uma empresa é mais importante do que muitos imaginam

A cultura não é um insight criativo e a frase que a resume não pode virar apenas um slogan.

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Toda empresa pode ter uma ou várias culturas; por isso, falar de cultura organizacional é mais difícil do que parece, principalmente porque pode tocar em assuntos delicados, como, por exemplo, a consciência de problemas não tratados, pressões por resultados, disputas políticas internas, relacionamento com clientes, com fornecedores e com colaboradores. Aliás, ouvi recentemente uma expressão que achei fantástica: “A cultura da empresa é dirigida na prática por forças invisíveis.”

Por causa disso e dependendo do tamanho da empresa, muitas acabam tratando cultura apenas como mais um projeto com grandes chances de virar um PowerPoint bonito ou pior, apenas uma campanha de comunicação interna que logo será esquecida. Para estas, deixo como lembrete a famosa frase do Peter Drucker: “Culture eats strategy for breakfast”.

Mas não pretendo fazer um discurso conceitual aqui. Quero falar com você que sabe que a cultura da sua empresa é algo sério e que permitirá inclusive que as estratégias sejam bem-sucedidas, mas não sabe por onde começar. Por isso, coloco aqui 10 dicas e já adianto que será uma jornada de escolhas, de “desescolhas” e em que o coração da empresa muitas vezes terá que falar mais alto do que o cérebro.

1. Cultura precisa ser o propósito da empresa colocado em prática no dia a dia. Não dá para falar em cultura organizacional se a empresa sequer tem clareza do seu propósito. E falo de um propósito nobre, que explica o motivo da empresa existir e que vai além do lucro, e não das definições acadêmicas da famosa tríade missão, visão e valores, que no fundo viram apenas frases de efeito sem função prática.

Veja bem, esta é a primeira e a mais importante dica, porque sem isso, nenhum projeto de cultura organizacional se sustentará por muito tempo.

2. Para virar cultura, o propósito até pode ser resumido em frases ou palavras fáceis de entender e de praticar, que chamamos de norteadores culturais. Mas no final, o propósito precisa ser mais sentido do que decorado.

Para a cultura ser real, todas as pessoas em uma empresa precisam acreditar no propósito.

3. Vem sempre de cima pra baixo. Ou seja, a prática da cultura começa no dono, fundador, board, CEO, diretoria, pois eles são os guardiões do propósito. É o famoso Walking the Talk.

4. Acontece de dentro para fora. Uma cultura forte e consolidada influencia o mercado, vira referência e atrai pessoas (clientes, colaboradores, fornecedores, sociedade etc.).

5. A cultura deve reverberar naturalmente e através de exemplos e casos internos que viram referências de boas práticas. “Viralização” de casos internos pode funcionar melhor do que treinamentos e manuais de comportamento.

6. Uma cultura dá espaço e liberdade para que os colaboradores a pratiquem de maneiras ainda nem pensadas pela direção.

7. A direção deve começar sempre explicando o PORQUÊ da cultura da empresa e não apenas o COMO praticá-la. O COMO nasce naturalmente quando a cultura é assimilada por todos, inclusive pelos próprios exemplos que a direção dá.

8. A cultura deve ser sempre pensada para o longo prazo, por isso ela nunca deverá ser deixada de lado, nem com a justificativa de se vender mais.

9. Vender mais nunca será melhor se não for preservando e através da cultura da empresa, simplesmente porque não será sustentável no médio e longo prazo.

10. Cultura nunca deve nascer apenas de uma estratégia de marketing ou de comunicação. A comunicação é apenas uma das ferramentas de disseminação, porque a cultura não é apenas um insight criativo. E a frase que a resume não é só um slogan.


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