Por Hellen Quida
O mês tradicionalmente tratado como pausa política tornou-se decisivo para a organização, a narrativa e a competitividade das campanhas
Janeiro deixou de ser um intervalo neutro no calendário político. O mês, tradicionalmente tratado como pausa informal entre ciclos eleitorais, passou a ter impacto direto na forma como as campanhas se estruturam e se posicionam para disputas de maior escala. Em um ambiente de informação abundante e eleitor mais atento, decisões tomadas nesse período tendem a produzir efeitos que se estendem por todo o ano eleitoral.

A dinâmica do voto em 2026 indica um eleitor menos suscetível a estímulos momentâneos e mais atento à coerência ao longo do tempo. A construção de reputação política baseada em constância de discurso, alinhamento entre fala e prática e clareza de posicionamento ganhou centralidade. Esse tipo de capital não se estabelece durante a campanha oficial e tampouco se recompõe facilmente quando fragilizado. Ele resulta de escolhas acumuladas, muitas delas feitas fora dos holofotes.
Outro ponto relevante está na dificuldade de transpor, sem ajustes, estratégias bem-sucedidas em eleições municipais para disputas estaduais ou nacionais. A ampliação do território impõe mudanças no enquadramento das pautas, na linguagem e na forma de dialogar com o eleitor. A pré-campanha cumpre justamente a função de permitir essa adaptação, reduzindo ruídos e evitando que o candidato permaneça preso a uma comunicação que já não corresponde à escala da disputa.
Por fim, a antecipação do planejamento interfere diretamente na capacidade de resposta durante o período mais intenso da campanha. Janeiro tem sido utilizado por equipes mais organizadas para revisar presença digital, alinhar narrativas e produzir materiais que sustentem a comunicação ao longo do ano. Em um cenário de alta pressão e decisões rápidas, chegar preparado deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica para disputar as eleições de 2026 com consistência. Anote as dicas da professora de Marketing Político, Hellen Quida, para você usar agora no primeiro mês do ano:
Auditoria de Reputação: É o momento do "Google Sincero". Antes de pedir votos, é preciso limpar a casa, alinhar as bios das redes sociais (LinkedIn, Instagram e Facebook precisam conversar entre si) e monitorar o que já está sendo dito. O silêncio digital, muitas vezes, é pior que a crítica: ele significa invisibilidade.
Redefinição de Persona: O erro clássico do vereador que quer ser deputado é continuar falando apenas dos problemas do seu bairro. Janeiro é o mês de "virar a chave" da narrativa, nacionalizando ou estadualizando o discurso para atingir novos públicos.
Banco de Imagens (Conteúdo de Gaveta): A produção antecipada de fotos e vídeos genéricos é o que salva a equipe de comunicação no caos do período eleitoral oficial.
À medida que nos aproximamos das eleições de 2026, o domínio sobre o tempo e sobre as ferramentas de Inteligência Artificial será o grande diferencial competitivo. Aqueles que entenderem que a campanha começa agora, no silêncio de janeiro, estarão mais bem preparados para conquistar a mente e o coração do eleitorado.

Sobre a autora:
Hellen Quida é Jornalista e professora atuante na área de Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Trabalhou como Coordenadora de Rádio, TV e Mídias Sociais em diversas campanhas vencedoras. É especialista em estratégias digitais e diretora do projeto "Digital é Poder".
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